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OPINIÃO - 24/12/2012
Artigo: O Natal daquele menino

O texto a seguir foi enviado pelo estudante de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Alan Otto Redü:
 
Longe do consumismo urbano, longe deste corre-corre pela busca tresloucada por presentes... Além das ambições e metas “varejistas”, havia uma manjedoura, tenra e humilde, que só o nome a identificava... Nas vitrines comerciais não havia nenhuma grande oferta de produtos alimentícios e alcoólicos para a “bebemoração” e comemoração daquele natalício.

Distante dos olhares ambiciosos dos compradores, muito diferente do verdadeiro sentido que os homens com o passar do tempo lhe imprimiram, e muito além dos olhos daqueles que mandam, havia um pequeno canto de palha e alguns animais ao redor, diga-se de passagem, ainda “ignorantes”, mas cientes da importância do momento. Naquela noite não havia nenhuma grande promoção, com juros e descontos, tampouco alguma liquidação tentadora, somente havia uma criança recém-nascida, fraca e tênue, ainda indefesa, mas que mudaria pra sempre o calendário humano ao meio...

Distante das reuniões do alto escalão das multinacionais, muito longe dos maiores laboratórios de pesquisa científica, tão pouco nos corredores infindáveis e abarrotados de livros importantes das maiores bibliotecas, e de grande valor, onde o saber faz morada e convive com o pó do próprio tempo... Ou em nenhum museu Importante da Europa, onde residem peças de incalculável valor, distante das Reitorias das melhores Universidades, onde o conhecimento é a melhora arma, afastado de tudo isto, a mais de vinte séculos, num ermo descampado e desértico, num lugar denominado Manjedoura, nasce o personagem mais Emblemático da História da humanidade...

Naquela noite não havia nenhuma grande Orquestra filarmônica, ou sinfonia para saudar o nascimento daquele humilde menino, havia sim murmúrios melódicos de animais ruminantes que quebravam o silêncio naquela manjedoura, onde um casal anônimo procurava se proteger da sanção sanguinária, que um imperador romano da época instituiu.

Hoje  aquele mesmo menino depois de tantos séculos ainda é cultuado, mas erroneamente, pois alguns corações o procuram, mas se equivocam, pois nestas noites em lautas ceias, em árvores perfeitamente ornamentadas e de grande troca de presentes aquele mesmo menino percorre silenciosamente os mais ermos cantos humildes, onde a dor e o desespero fizeram morada, nestas vielas simples, tal como a manjedoura, ele caminha para serenar e aliviar  o coração  daqueles  que igual a ele não tiveram no mundo um canto pra reclinar  sua fronte alquebrada de dores.

Que nós, os ditos homens civilizados, possamos entender que o natal, é uma festa espiritual independente de qualquer credo religioso, e não material. Que possamos iluminar mais nossas consciências e nossos corações do que a frente de nossas casas, porque as luzes internas, depois de acessas jamais se apagam, ao contrário das lâmpadas elétricas...

Que neste natal, como nos próximos, nos possamos “Também Nascer de Novo”, acordar um novo homem, com outras ideias e concepções, mais evoluídas, que aquele velho ser, que Habitava em nos, possa ser demolido, desmoronado, e que pouco a pouco possamos nos tornar melhores do que éramos. Assim fatalmente estaremos mais perto do “aniversariante” desta data.

Que o verdadeiro presente é de se doar ao próximo e não simplesmente lhe ofertar algo, que às vezes, nem provem do coração... Que possamos se aproximar daquele menino cada vez mais, e ajuda-lo com sua falange de anjos no bendito labor da caridade!
 
“Fora da caridade, não há salvação”
Allan Kardec

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