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RURAL - 02/03/2017
Família Schultz de Canguçu Velho e a produção de tabaco
Foto: Divulgação
O cultivo do tabaco, responsável por 92% da renda da familiar, mudou a vida da família
O cultivo do tabaco, responsável por 92% da renda da familiar, mudou a vida da família
O cultivo do tabaco, responsável por 92% da renda da familiar, mudou a vida da família

O município de Canguçu é o maior produtor de tabaco do país. De acordo com dados Safra 2015/2016 da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), são 4.739 produtores, responsáveis por uma produção de 16,6 mil toneladas do produto.

Entre os produtores que encontraram no tabaco uma alternativa de renda e qualidade de vida no campo está a família Schulz, moradora da localidade de Canguçu Velho. São mais de 20 anos dedicados à cultura que renderam à família de produtores integrados a Souza Cruz, uma condição de vida diferenciada.

Eles são exemplos de sucesso na atividade agrícola e ratificam a pesquisa sobre o Perfil Socioeconômico do Produtor de Tabaco da Região Sul do Brasil, conduzida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio do Centro de Estudos e Pesquisas em Administração (Cepa), entre 29 de agosto e 16 de setembro de 2016. O estudo envolveu 15 das 21 microrregiões produtoras de tabaco que compõem a Região Sul do Brasil - o que corresponde a 94,3% do total produzido na região.

A propriedade liderada por Elton Schwatz Schulz, 43 anos, e pela esposa Ivete, 39, com auxílio dos sogros, Ivo Schlatz, 66, Elmira, 64, já conta com a sucessão dos filhos Leonardo, 22, e Rafael, 20. Completam a família o jovem Gabriel, de 15 anos, e a pequena Vitória, 8,  estudante do 3º ano da Escola Dr. Jaime de Farias.

Eles começaram, no início dos anos 90, cultivando 40 mil pés, em 2,4 hectares e uma modesta estrutura. Hoje, são responsáveis pelo cultivo de 170 mil pés de tabaco, numa área de 10,2 hectares. A secagem é feita em seis estufas, quatro LL (folha solta) e duas convencionais.

Com uma propriedade bem organizada e equipada, Elton produziu na Safra 2016, 22,7 toneladas de tabaco, com uma produtividade média de 2.526 Kg/ha. Em 2017, a expectativa é de que o plantio alcance 37 toneladas, com uma produtividade de 3.600 Kg/ha. Este ganho de produtividade, segundo ele, pode ser atribuído aos investimentos em irrigação e ao manejo do solo, com subsolagem, aplicação de calcário, curva de nível, plantio na palha e camalhão alto de base larga.

Do total produzido, 113 mil pés desta safra foram contemplados com o sistema de irrigação. Fruto de um investimento de R$ 110 mil, financiados em 10 anos, o sistema tem o objetivo de incrementar a rentabilidade, independente de fatores climáticos. “É o nosso primeiro ano com a irrigação, mas já percebemos a diferença. O resultado é muito bom e vai valer todo o investimento”, destaca Elton.

Na propriedade de 46,6 hectares, a família também mantém atividades para o consumo próprio, como o cultivo de milho, feijão, batatas doce e inglesa, cebola e abóbora, além de criação de suínos, aves (galinhas, patos e marrecos), vacas de leite e cavalo. O abastecimento de água para consumo vem de duas cacimbas e para o restante, dois açudes, um deles com captação da água da chuva por meio de calhas nos telhados das estufas e da casa. O reflorestamento ocupa oito hectares, atendendo a necessidade de 250 metros cúbicos de lenha para consumo próprio por ano.

O cultivo do tabaco, responsável por 92% da renda da família, mudou a vida da família. “Eu tinha uma carreta de bois e uma pequena casa antiga. E tudo que temos aqui hoje foi graças ao tabaco”, completa o produtor. A casa da família, com dois andares e 400 metros quadrados impressiona qualquer visitante. São nove dormitórios, cinco banheiros, duas cozinhas, duas salas, duas dispensas, além de garagem para quatro carros.

Além disso, a estrutura de veículos e equipamentos próprios também chama a atenção: são cinco automóveis, um caminhão, dois tratores e uma moto, além de arrastão, disco hidráulico, arado de três linhas, plantadeira, subsolador, esparramador de esterco, roçadeira, pulverizador e arado de camalhão alto. “Tudo isso facilitou muito a nossa vida. A gente chegava a levar quatro dias para encher uma estufa. Hoje, em 16 horas, este trabalho é concluído”, comemora.

E se na atividade agrícola a tecnologia ajudou a melhorar, dentro de casa agregou qualidade de vida. São três refrigeradores, um freezer, seis aparelhos de TV, três aparelhos de DVDs, 10 rádios, duas máquinas de lavar, uma centrífuga, dois fornos elétricos, um aspirador de pó, seis ventiladores, um computador, seis telefones celulares, dois telefones fixos, um tablet, TV por assinatura e antena parabólica, Internet via rádio e rede Wi-Fi.

Participantes do Programa Propriedade Sustentável, desenvolvido pela Souza Cruz em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) desde 2009, os produtores comemoram a melhoria das atividades nestes anos. “Melhorou de 8 para 80. A gente não tinha noção de quanto ganhava e hoje temos controle de tudo”, garante Elton, que tem no orientador agrícola Rodrigo Kohler o seu grande parceiro de assistência técnica. Em 2016, a propriedade alcançou um salário mensal per capita de R$ 2.458,16.

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