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CULTURA - 03/07/2016
Geisa Coelho recebe o prêmio 300 Onças em Pelotas
Foto: Arquivo pessoal
Vice-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, entregou a distinção à Geisa Coelho
Vice-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, entregou a distinção à Geisa Coelho
Vice-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, entregou a distinção à Geisa Coelho

Trabalho de Geisa Portelinha Coelho em Canguçu e em países como África do Sul e Inglaterra é reconhecido pelo Instituto João Simões Lopes Neto

Uma educadora de Canguçu está entre as três personalidades que foram homenageadas na sexta-feira (1º), em Pelotas, pelo prêmio 300 Onças.

A distinção é concedida pelo Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN) desde 2005, com o objetivo de reconhecer aqueles que se destacaram no trabalho pela preservação da memória, pela divulgação da obra de Simões Lopes Neto e daqueles que contribuíram para a construção do Instituto e para a recuperação da Casa do escritor.

Em 2016, o prêmio foi entregue à canguçuense Geisa Portelinha Coelho, à Agemir Bavaresco e à Vera Rheingantz Abuchaim.

Geisa é professora das redes particular e estadual desde 1998, formada e pós-graduada em Letras (Português, Literatura e Língua Inglesa) pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Em 2013, cursou Língua Inglesa na Good Hope Studies, na África do Sul. O mesmo fez em 2014 e neste ano, na Saint Giles International, naInglaterra.

Hoje,  atua na Escola Técnica Estadual Canguçu (ETEC)Escola Irmãos Andradas e Associação Educacional e Cultural Canguçuense (AECC).

Ela conversou com o Canguçu On Line sobre o momento especial vivido na carreira. Há aproximadamente 15 anos ela estuda e divide a obra de João Simões Lopes Neto com alunos, amigos e jovens tradicionalistas.

— Desenvolvo oficinas com crianças e pesquisas com jovens do Ensino Médio e palestras com adultos. Já fiz dezenas de trabalhos em escolas, CTGs, no entanto, o mais inusitado foi feito à convite de uma empresa que o ofereceu como presente às mulheres no Dia Internacional da Mulher. Foi incrível, era como se elas se encontrassem ou encontrassem suas mães e avós nas personagens dos Contos Gauchescos. Meu trabalho discreto, sem alarde, já ultrapassou a região porque me acompanha nas festas culturais para estudantes nos países em que estudo.

O prêmio é dado em forma de moeda, tendo uma onça de ouro verdadeira como modelo. São 300 as onças. Ao longo de 100 anos serão 300 prêmios entregues, já que a cada ano o Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN) homenageia apenas três pessoas. Quando a última onça for entregue, o prêmio se extinguirá automaticamente.

A professora de Português, Literatura e Língua Inglesa lida com o desafio de fazer o resgate da obra de João Simões Lopes Neto a uma geração que nasce conectada à internet e mergulhada em redes sociais. Mas ela utiliza essa particularidade a seu favor.

— Nem sempre é necessário desconectar-se para aprender a ler ou pesquisar. A tecnologia está a favor da educação, então, eu procuro incluir smartphones, tablets e tudo mais que possa nos auxiliar na descoberta da leitura. Meus alunos e eu usamos as redes sociais para nos comunicar e, muitas vezes, a internet é o meio por onde oriento trabalhos de pesquisa, quando feitos à distância ou nos finais de semana. Pesquisar, preparar slides, relatórios, fazer leituras online são tarefas cotidianas para alunos do Ensino Médio. 

A partir do momento em que docente e ouvintes falam a mesma linguagem e usam dos mesmos recursos para estudo e leitura, é criada uma relação de liderança e amizade. Por isso, nos grupos em que Geisa atua não são encontradas dificuldades na aceitação do tema, uma vez que os alunos estão envolvidos no trabalho.

— Atuo primeiramente como uma espécie de coaching  Se os jovens forem apenas ouvintes de uma causa que “pensam que” não é deles, poderão recusá-la. Mas, como lanço a proposta e os incluo nas decisões e conversas, eles têm tomado como sendo deles também. O jovem espera muito dos professores, gosta de saber que temos algo novo para contar, gosta quando os ajudamos a descobrir sua história nos livros, gosta de aprender a ler. O resultado disso é que três alunas escreveram monografias a respeito do autor e sua obra, entre 2010 e 1013, e as três foram premiadas com o título de Destaque em Pesquisa Oral. Embora eu não ensine literatura para competição, todos ficamos felizes com os resultados e a Literatura tem esse caráter de ajudar a encontrar a felicidade, descobrir culturas, resgatar costumes, vivenciar e compreender a história, e pensar sobre o futuro e principalmente ver beleza nas manifestações mais simples de vida.

Um trabalho que atinge a façanha de ser premiado pelo Instituto João Simões Lopes Neto pode e merece ser replicado em outras instituições de ensino do município.

— É preciso despir-se do antigo preconceito acadêmico em relação à literatura Regional como bairrismo e começar uma leitura séria, comprometida. É preciso ter ciência de que a obra Simoniana hoje faz parte da literatura Universal e que diversos países da Europa pesquisam e traduzem a obra e nós não devemos ignorá-la como temos feito. Qualquer criança ou jovem irá se encantar com a beleza da poesia dos Casos do Romualdo, dos Contos, Gauchescos das Lendas do Sul. Além disso, a Literatura, a História, a Geografia, o Ensino Religioso, a Filosofia, o Folclore, a Sociologia, a Biologia... o indispensável está presente nesses textos. É a obra mais perfeita para o professor começar qualquer aula, em qualquer disciplina, em qualquer nível de conhecimento, mas é necessário que o professor se encante para encantar os alunos - recomenda Geisa. 

Na sexta-feira (1º), Geisa Portelinha Coelho sentou ao lado de Agemir Bavaresco e Vera Rheingantz Abuchaim. Os três compareceram à Casa de João Simões Lopes Neto, em Pelotas, na condição de homenageados.

Ela admite que demorou a assimilar a notícia de que receberia o Prêmio 300 Onças.

— Isso é quase inacreditável Demorei uma semana para compreender o que estava acontecendo. Ambos são grandes nomes da pesquisa. Vera e suas obras vão despindo nosso desconhecimento. Com Agemir conheci, de fato, A Salamanca do Jarau. Sentar ao lado deles receber o mesmo prêmio que ambos não me torna igual a eles, mas me estimula a estudar ainda mais. Entende que eles me influenciaram tanto quanto influencio as pessoas que oriento, por vias diferentes.

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