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ESPAÇO DO LEITOR - 23/01/2018
Marco Vinício Pereira: Sobre as histórias que se perdem no tempo
Foto: Canguçu On Line/Reprodução
Marco Vinício Pereira do Espírito Santo, 32 anos, é graduado em Filosofia e História pela UFPel
Marco Vinício Pereira do Espírito Santo, 32 anos, é graduado em Filosofia e História pela UFPel
Marco Vinício Pereira do Espírito Santo, 32 anos, é graduado em Filosofia e História pela UFPel

Meio homem, meio lobo, garras grandes, patas peludas, olhos avermelhados e orelhas compridas. Você sabe de quem estou falando? Pois é dessa lendária figura que lhes falo hoje com ar melancólico, o Lobisomem.

Segundo contavam, ele morava sempre nas redondezas, era algum vizinho que tinha os pré-requisitos necessários para tal função; solteiro, sétimo filho e por ai vai. Essa figura foi parte da minha infância, todo adulto respeitável que eu conhecia narrava com espanto o encontro com a dita fera.

Geralmente numa noite de lua cheia numa dessas estradas que se estendem horizonte a fora. Deste encontro indesejado cada qual escapava ao seu jeito, alguns com atos de valentia descarregavam suas garruchas e o bicho desaparecia, já outros, utilizavam o mais tradicional dos métodos, saiam correndo mais do que um galgo e sem olhar para trás. 

O lobisomem convivia bem com aquele ambiente de ranchos iluminados por lamparinas a querosene, rádios a pilha e fogões a lenha. Mas a mudança, as novas tendências, batem todas as portas, primeiro das casas imponentes perto das estradas grandes e depois, a passos lentos e penosos, segue para os ranchinhos nas encostas dos morros.

Com o tempo cada uma daquelas casas onde eu comia pão de milho nos dias de chuva, modificou-se. As lâmpadas elétricas alumiavam longe para além das cercas. A energia elétrica possibilitou a geladeira e com ela vieram os picolés de ki suco que fizeram a alegria das crianças daquela época. Também veio a televisão e com ela entretenimento, informação e novas histórias.

Com tudo isso, surgia uma nova forma de viver. Muita coisa era nova incluindo hábitos, rotina, assuntos e, sobre tudo, informação. Quando chegamos a este novo mundo, todos faceiros e risonhos, saboreando picolés e assistindo a seção da tarde, eu sentado na soleira da porta olhando o horizonte, percebi que alguém estava ausente.

O velho lobisomem havia se perdido por estes tantos novos caminhos. Ficou para trás, perdeu-se nas curvas das estradas por onde passamos, talvez tenha ficado encolhido nalguma encosta assustado que estava com o clarão das lâmpadas elétricas ou, quem sabe, morreu a mingua sem o alimento de que mais precisava; a imaginação.

As mudanças foram boas, é desejável que a vida se torne mais fácil, que a informação entre por baixo de todas as portas deste país. Mas para mim aquelas histórias foram importantes, eu também prefiro o progresso, mas isso não me impede de falar do velho lobo tal como falasse de um amigo que no tempo se perdeu.

Eu, nunca o vi, mas podia ouvir seus passos caminhando por perto nas noites de lua.

 

O autor

O texto é uma colaboração de Marco Vinício Pereira do Espírito Santo, 31 anos, natural de Canguçu e radicado em Pelotas, onde estuda.

É graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), graduado em História pela mesma Universidade e desenvolve pesquisa de Mestrado em Filosofia pelo Programa de Pós graduação em Filosofia (PPGFil-UFPel).

Para sugerir um tema para ser abordado no próximo artigo, entre em contato com Marco pelo e-mail marco_vinicio@hotmail.com.br.

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