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CULTURA - 06/10/2017
Qual o impacto da Ditadura Militar em Canguçu?
Foto: Arquivo Pessoal
O estudante de Cinema da UFPel, Humberto Schumacher da Gama Júnior (foto), é o diretor do curta-metragem gravado em Canguçu e que vai rodar pelo Brasil
O estudante de Cinema da UFPel, Humberto Schumacher da Gama Júnior (foto), é o diretor do curta-metragem gravado em Canguçu e que vai rodar pelo Brasil
O estudante de Cinema da UFPel, Humberto Schumacher da Gama Júnior (foto), é o diretor do curta-metragem gravado em Canguçu e que vai rodar pelo Brasil

Você sabia que o médico Emir Squeff foi cassado pelo Regime Militar em 1969, quando era prefeito de Canguçu? O poder foi assumido por Waldemar Fonseca


O curta-metragem Raiz Sob a Flor, dirigido por Humberto Schumacher da Gama Júnior, aborda o período da Ditadura Militar especificamente em Canguçu.

Com documentos da época, depoimentos em vídeo, entrevistas por telefone, áudios do Congresso Nacional em 1964, o curta busca responder a seguinte pergunta: A a Ditadura Militar teve impacto em um município pequeno (como Canguçu), no Sul do Brasil?

— Ainda há uma enorme lacuna de informações sobre o período — responde Humberto, de imediato.

Em abril deste ano, a obra foi apresentada no Cine Teatro Municipal em uma Mostra promovida pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Segundo o diretor, o filme é indicado principalmente para as pessoas que desconhecem o impacto da Ditadura Militar no município.

Durante o período em que o filme estiver sendo apresentado em festivais e mostras, ele não pode estar disponibilizado na web. Com o término das exibições, ele será disponibilizado livremente.

— Quem quiser assistir ao vídeo, pode entrar em contato comigo. Ficarei muito grato em enviá-lo —​ comenta o diretor.

O Canguçu On Line fez um bate-papo exclusivo com o estudante de Cinema da UFPel, Humberto Schumacher da Gama Júnior.

Confira os principais pontos da entrevista:
 

O ponto de partida
O filme trata da Ditadura Militar especificamente em Canguçu. É diferente dos outros filmes que já produzi aqui, por exemplo, porque a cidade era usada como locação, como cenário. E esse é o mote do filme: Esse documentário se passa em Canguçu, e é sobre Canguçu.


A idealização do projeto
Estava no último ano do ensino médio na Escola Técnica Estadual de Canguçu (ETEC), em 2014, quando fiz uma pesquisa sobre a Ditadura aqui no município. Foi quando encontrei todas as histórias usadas no filme, os documentos, as pessoas, e como aconteceu. A pesquisa durou o ano inteiro, o que me permitiu estar inteirado do assunto.

 

A execução do projeto
Em agosto de 2016, quando eu já estava cursando Cinema na UFPel, surgiu a proposta de um filme-documentário. Começamos a pré-produzir em agosto de 2016, e ele ficou pronto em março de 2017. São 8 meses de produção dentro da universidade, além dos 2 anos de pesquisa.


A primeira impressão geral
Pessoas reagiam espantadas aqui em Canguçu e dentro da Universidade: "- Oi? Um filme sobre a Ditadura em Canguçu? Teve algo lá? Como assim?". Quando isso acontecia, eu reafirmava a necessidade de fazer esse filme, pois, socialmente, ainda há pessoas que não compreendem o que aconteceu entre 1964 e 1985. É o que o filme tenta ilustrar, e até agora creio que estamos conseguindo.

 

O ponto de corte
Não conseguiríamos abordar todos os 21 anos da Ditadura em um curta-metragem de 20 minutos com a densidade necessária. Então, escolhemos alguns episódios específicos e nos encontramos com algumas pessoas que se dispuseram a conversar conosco. O principal fato no município foi a cassação do médico Emir Squeff, em 1969.

Logo que iniciei a minha pesquisa, esse caso surgiu por vários lugares, e muitas pessoas ainda lembram e contam: O Emir foi eleito prefeito do município, depois cassado pelo Regime Militar, e a pessoa que perdeu aquela eleição, acaba assumindo o poder: Waldemar Fonseca. Josino Bezerra é outro enfoque: é o único político do MDB que foi efetivamente torturado aqui em Canguçu, que se tem notícia e registro. Então, o documentário se aprofunda nessas e outras histórias específicas do período.
 

Delineamento histórico
Estava na concepção do projeto mostrar o contraste entre um Golpe de Estado, parte das ditaduras do Cone-Sul, consequência direta do período de Guerra Fria e da geopolítica mundial, e o que tudo isso tinha a ver com Canguçu. Esse contraste sempre me pareceu irresistível, e foi um longo processo conseguir pôr isso na tela.    



Os imprevistos
Quando realizei a pesquisa, conhecemos uma pessoa que nos contou inúmeras histórias acerca do período. Ela possuía parentes que foram torturados, e ela também havia sido militar. Viveu os dois lados dessa moeda e era uma das partes-chaves do documentário.

Durante a pré-produção, já havíamos acertado para essa pessoa aparecer no filme e, na véspera, após uma longa conversa, a pessoa desistiu. Me disse que não gostaria de expor sua história e temia que algo pudesse acontecer a ela e a sua família.

Então, essa é uma das dificuldades que enfrentamos, pois o filme é sobre um período ainda obscuro, e ainda há muitas pessoas que não se sentem plenamente seguras para falar sobre.


Os maiores desafios
As escolhas estéticas, de como iríamos ilustrar o tema, como abordar a questão, é que pesaram bastante na tomada de decisões. É um tema intimamente difícil pra várias pessoas com quem conversamos e, do ponto de vista de realizador audiovisual e cineasta, é necessário ter cautela e responsabilidade ao captar esses depoimentos.

O filme, até ficar pronto, tem várias formas. Nós sabemos a essência dele, imaginamos como começa e termina, mas é sempre um exercício interessante encaixar todas as peças.

Nós captamos cerca de 5 horas de material. O curta tem somente 13 minutos e 14 segundos, dá pra ter uma ideia do trabalho que é. Ainda há muitas histórias que foram captadas, documentos encontrados, mas que ficaram de fora, e foi extremamente complicado decidir o que iria para o corte final.

 

O papel social
O melhor resultado, ao meu ver, foi a reação dos envolvidos. No lançamento do curta, entrevistados e membros da família Squeff estavam presentes e tiveram reações positivas ao filme.

Ouvi de entrevistados, que sofreram com a Ditadura Militar, que o que fazíamos era necessário. E isso é essencialmente gratificante, pois aí o filme sai da universidade e o Cinema reafirma o seu papel social. O intuito é levar essas histórias para o maior número possível de pessoas, para efetivamente problematizar no público o que foi a ditadura.

 

A equipe de produção
Nossa equipe era de 5 pessoas. Ana Paula Casagrande dirigiu a fotografia do filme, captou todas as imagens nas 3 diárias que tivemos, junto com Eloisa Soares, que captou todo o som do documentário. Felipe Yurgel montou o filme e Anderson Eberts ajudou com a produção do curta.

Tive também a ajuda da historiadora Zuleica Barbosa, com fornecimento de documentos, me auxiliou a encontrar alguns entrevistados, além de longas conversas sobre o período. Além do violonista Maithan Knabach, que compôs a trilha do curta-metragem.  

 

Próximas exibições:
Até o fim do ano ele será exibido em Alagoas;
Em novembro, em Minas Gerais no Cine Pochixá;

Recentemente foi selecionado para um festival em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Lá serão 7 dias de mostra, e a estimativa de público é de 10.000 pessoas. Acontecerá entre 12 e 18 de outubro. Estamos distribuindo ele ainda, creio que logo será selecionado para mais festivais e mostras.

 

Informações: Canguçu On Line (www.cangucuonline.com.br)

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