Canguçu, sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018, 17h13
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SEGURANÇA - 03/11/2017
VÍDEO: A rotina no Presídio Estadual de Canguçu
Foto: Carlos Queiroz/Diário Popular
Presídio Estadual de Canguçu tem 129 detentos: 83 no regime fechado, cuja capacidade é para apenas 38
Presídio Estadual de Canguçu tem 129 detentos: 83 no regime fechado, cuja capacidade é para apenas 38
Presídio Estadual de Canguçu tem 129 detentos: 83 no regime fechado, cuja capacidade é para apenas 38

O Canguçu On Line reproduz, abaixo, uma reportagem especial produzida pelo jornal Diário Popular, de Pelotas, sobre como é a vida dos detentos no Presídio Estadual de Canguçu.

A matéria é das jornalistas Giulliane Viêgas e Michele Ferreira. As fotos são de Carlos Queiroz. As imagens em vídeo são de Leandro Lopes.

***

No último capítulo de Encarcerados, o Diário Popular não traz apenas um apanhado do Presídio Estadual de Canguçu. População carcerária em alta. Reincidência elevada. Tráco de drogas por trás de mais de 35% das penas.

Neste sexto dia da série, o DP convida o leitor a também abandonar o universo do sistema carcerário - marcado pelo caos e pela desesperança - para ingressar em uma história de superação. Sim, é possível recomeçar. Acredite. É o que você confirmará, diante de cada peça de madeira desenhada e cortada cuidadosamente, como quem alinha o futuro, agarrado à família e ao trabalho.

É o relato de Leonardo Mendes, 39 anos. Em 2012, quando o DP visitava Canguçu para a segunda edição da série Encarcerados, o pelotense cumpria regime semiaberto. E foi lá, de costas e com a identidade preservada, que o ex-sargento do Exército falou pela primeira vez, em um pequeno espaço no Centro para venda de artesanato. Cinco anos depois, Leonardo mostra o rosto. Dá nome completo. Sorri e sonha.

O Cantinho do Artesanato cresceu e mudou de endereço. Transformou-se em loja ampla no Centro de Pelotas, onde vive ao lado da mulher Daniela, 39, e do filho Vicente, de três anos de idade. Quando ainda acertava as contas com a Justiça por tráfico de drogas, os dois se reencontraram através das redes sociais. E retomavam, 18 anos mais tarde, um velho namoro da adolescência. Era o incentivo que Leonardo precisava para ter ainda mais força.

Aos poucos, os objetos em madeira confeccionados no presídio passavam a ganhar as feiras artesanais de Pelotas. Era mais um passo rumo à expansão. Até hoje, Leonardo alimenta vínculos com Canguçu. Mesmo em liberdade, mantém marcenaria dentro do presídio, ensina o ofício a parte dos detentos - que prefere chamar de reeducandos -, gera renda a esses apenados e disponibiliza maquinário para linha de montagem também fora da casa prisional.

— Não existe reinserção social. Por isso, quero que possam crescer pelas próprias mãos. Um dia sairão de lá — ressalta.

E faz questão de destacar as inúmeras vezes em que contou com o apoio do Judiciário e de agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) para poder participar das feiras, quando ainda no regime fechado. Era mais um estímulo para persistir. Fazer com que os objetos que estampavam revistas de pintura, levadas pela mãe ao presídio, se transformassem em arte. E em oportunidade.

— Quero que outras pessoas tomem coragem e vejam que é possível ter uma vida nova — reforça, decidido a enfrentar preconceitos que ainda ferem.

Determinado a dedicar-se à família e aos amigos. Em especial à mulher Daniela, ao lho Vicente e ao novo herdeiro que vem por aí: Inácio ou Maria Clara - eles ainda não sabem o sexo.

— Só queremos que venha com saúde.
 

O FOCO É NÃO MINAR O AMBIENTE
A estratégia segue a mesma. Para manter a tranquilidade no Presídio de Canguçu, a direção trata de providenciar transferências a outras penitenciárias sempre que idêntica comportamentos mais exaltados ou vinculação com facções criminosas. É a solução para não minar o ambiente.

Há poucos meses, o espaço destinado às mulheres - criado em 2011 - foi desativado por determinação judicial, já que as apenadas permaneciam no mesmo corredor dos homens. Não havia área física disponível para divisão por gênero. Hoje, o número de detentos chega a 129; 83 no regime fechado e 46 entre semiaberto e aberto.

A marcenaria, que começou numa pequena salinha de 1,20 metro x 2 metros, segue entre as grandes apostas para a ressocialização. É projeto assegurado, principalmente pela retaguarda de equipamentos e de materiais disponibilizados por Leonardo Mendes. Entre os planos, a realização de uma obra que encurtaria parte do pátio, mas garantiria estrutura específica para atividades educacionais e religiosas, por exemplo. São iniciativas projetadas, de novo, com verba do Poder Judiciário.


CONVITE À REFLEXÃO

A POSIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O promotor de Justiça de Canguçu, Márcio Pinto Ferreira, defende a importância de as penas serem exemplarmente cumpridas, como uma das ferramentas para combater a banalização da violência no Brasil.

— A impunidade faz crescer a criminalidade — enfatiza.

Nesse processo de punição, também é fundamental que o sistema prisional possua condições dignas, que permita a recuperação desses homens e mulheres - reforça. E engrossa o coro pela construção de novos presídios, livres das facções que transformam as penitenciárias em QGs do crime organizado.


A AVALIAÇÃO DE UM PESQUISADOR
O professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Bruno Rotta, traz outro aspecto ao debate e fala na necessidade de a sociedade se conscientizar das consequências sociais do encarceramento em massa; muitos presos provisórios.

— Esse processo de amadurecimento é justamente pensar que prisão não pode ser a única saída para qualquer tipo de crime — argumenta o advogado popular.

Com o sistema instituído hoje no país, corriqueiramente, réus primários estão lado a lado com apenados de longa ficha criminal. Não raro, integrantes de facções. Resultado: muitos acabam recrutados à organização criminosa.

Na prática, o encarceramento eleva o poder das facções - enfatiza. E, pior: do lado de fora, faz saltar os índices de violência. Rotta defende, portanto, a necessidade de filtro mais apurado na hora de decretar prisões, que poderiam ser substituídas por medidas alternativas. Hoje, corre-se o risco de contribuir ao fortalecimento cada vez maior do crime organizado, que poderá ganhar novos soldados. Um efeito que a sociedade sentirá na pele. Rapidamente.
 

ALGUNS DADOS DO PERFIL
129 detentos: 83 no regime fechado, com capacidade para 38
46 no semiaberto e aberto, com capacidade para 38

Penas: o tráco de drogas responde por mais de 35% das penas
Faixa etária: em torno de 45% dos presos têm entre 30 e 45 anos de idade
Grau de escolaridade: mais de 77% dos detentos têm Ensino Fundamental completo ou incompleto


​Confira o vídeo abaixo:

 

Veja mais imagens:
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