Canguçu, quarta-feira, 2 de abril de 2025
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Boletim da Copaaergs aponta outono como período de transição entre a estiagem e retorno das chuvas

Trimestre será marcado pelo enfraquecimento do fenômeno La Niña e a transição para um período de normalidade climática


Chuvas entre a normalidade e ligeiramente acima da média devem marcar os próximos meses no Rio Grande do Sul, com maiores volumes de chuvas principalmente entre maio e junho. Os dados foram divulgados no Boletim de Prognóstico Climático para o trimestre Abril-Maio-Junho de 2025 realizado pelo Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). As previsões apresentadas pelo boletim são baseadas no modelo estatístico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O enfraquecimento do fenômeno La Niña, e a transição para um período de normalidade climática durante o trimestre abril-maio-junho, com probabilidade superior a 70% e persistência de condições neutras durante o inverno 2025, indicam a retomada das chuvas mais frequentes e o fim da estiagem ao longo do outono-inverno deste ano. No mês de abril ainda deve predominar irregularidade de chuvas, podendo os maiores índices pluviométricos ocorrerem do centro para o norte do estado, enquanto no sul podem ser registrados desvios negativos, ou seja, chuvas abaixo da média.

De acordo com a doutora em agrometeorologia e coordenadora da Copaaergs, Loana Cardoso, a normalização das chuvas ainda não deve ocorrer em abril. “As chuvas retornam em maio e junho e inicia o período de reposição de água no solo e mananciais”, afirma.

As temperaturas devem ficar um pouco acima da média, especialmente mais ao norte do estado, enquanto devem ficar próximas da média mais ao sul, nas regiões de fronteira. Espera-se contraste térmico em função da massa de ar bem mais quente que deve predominar no Brasil Central e as massas de ar de origem polar que vêm do sul do Continente.

Eventos como tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo podem ocorrer no estado, em função dos ciclones extratropicais e de áreas de instabilidade que se formam entre a Argentina, Uruguai e Paraguai, fortalecidos pelo contraste térmico que é observado na região do rio da Prata, quente próximo à costa do RS e frio ao sul da Costa da Província de Buenos Aires.

As principais recomendações técnicas para o período outono/inverno, quando a demanda evaporativa da atmosfera é menor, se referem ao momento para buscar investir em sistemas de irrigação e especialmente no armazenamento de água. Além disso, é o momento de estabelecer o manejo outonal como estratégia de manutenção de cobertura de solo, visando aumento de matéria seca, melhoria de qualidade e estrutura dos solos, aumento da capacidade de armazenamento de água no solo, utilizando materiais de outono-inverno anuais ou perenes.